16 agosto, 2014

Pai Nosso da Terra

Pai nosso que está na Terra
Simplificado seja o vosso nome
Está em mim o vosso reino
Que seja minha a vossa vontade
Bendita ou maldita
Se o que eu mato eu como
O pão nosso de cada dia
Dai sempre ao bom merecedor
Não perdoai ao devedor
Nem livrai o fraco do mal
Com vosso poder habitai a alma dos fortes
Senhor da máfia, deus dos deuses
Pai nosso da Terra
Nada vos imploro, nada rezo
Mantende comigo vossa espada
Pai nosso da Terra
Livrai-me da maldição dos fracos

Raul Seixas (1981)






07 junho, 2014

Caymmi



Exercício para guerreiro de Chögyam Trungpa: “Para começar, temos de olhar a realidade doméstica: as facas, os garfos, os pratos, o telefone, a lavadora, as toalhas – as coisas triviais. Nelas não há nada de místico ou de extraordinário, mas, sem um vínculo com as situações triviais, cotidianas, sem examinarmos a vida diária, nunca encontraremos nenhum senso de humor, nenhuma dignidade ou, em última instância, nenhuma realidade.” Porém, isso tem mais a ver com trecho de carta de Sêneca, que trata da futilidade de planejar o futuro: “Como fugiremos dessa inquietação? De um único modo: não deixando a vida depender do futuro, reconduzindo-a sobre ela mesma. [...] Como a inconstância e as mudanças do acaso poderiam perturbar aquele que permanece estável na instabilidade?” Permanecer estável na instabilidade. Ímpar/par. Lição da medicina da alma greco-romana. Lição de Dorival Caymmi, um dos melhores brasileiros de todos os tempos (incluindo os vindouros), cantando suas canções perfeitas, bebendo água azul, na janela de seu apartamento de Copacabana, dando outro rumo para a agitação da realidade. (Hermano Vianna)

12 maio, 2014

Uma História de Amor e Fúria

Filme brasileiro de animação de Luiz Bolognesi que retrata 4 fases da história do Brasil: A colonização, a escravidão, o regime militar e uma visão do futuro. Participação de Rodrigo Santoro, Selton Melo e Camila Pitanga (dubladores).

27 abril, 2014

Se liga.


                    Se você ainda não percebeu que o Brasil mudou, ainda é tempo. Um dos subprodutos dessa mudança são as manifestações que tomaram as ruas. É pena que muitas delas tenham assumido a horrível face da violência. É curioso que no país do futebol a Copa esteja sendo rechaçada. São fenômenos sociais que muita gente está tendo dificuldade para entender e processar. E as eleições vêm aí. Então vamos acordar. A questão central do Brasil hoje está em uma só palavra: Inclusão. É tempo de incluir camadas da sociedade que vivem à margem há décadas, séculos. Incluir de verdade, algo maior que a solidariedade das ONGs, algo mais amoroso que os ideais dos partidos e da intelectualidade. Simplesmente dar espaço, aceitar, compartilhar. Mas tem uma camada da sociedade que reluta em incluir, e daí vêm todos os conflitos, que têm as ruas como palco. Leciono em uma faculdade particular do nordeste brasileiro. Sinto alegria ao perceber que, graças aos programas de financiamento estudantil, jovens de famílias de baixa renda e da periferia estão tendo a chance de fazer cursos superiores. Sinto orgulho de poder ensiná-los; me sinto últil, me sinto grata. Eu que sempre quis mudar o mundo e que no jornalismo nunca consegui mudar nada. Porém, há colegas professores que desprezam essa chance, torcem mesmo o nariz e falam que a universidade baixou o nível, que os alunos são semi-analfabetos e maleducados. Curiosamente alguns deles são de partidos de esquerda – e eu só tenho dois partidos: a paz e a liberdade. O fato é que esse movimento pela inclusão é irreversível. Quanto a maior a resistência a ele, maiores serão os conflitos.

                

12 março, 2014

"Saber não ter ilusões é absolutamente necessário para se poder ter sonhos. Atingirás assim o ponto supremo da abstenção sonhadora, onde os sentimentos se mesclam, os sentimentos se extravasam, as ideias se interpenetram. Assim como as cores e os sons sabem uns a outros, os ódios sabem a amores, e as coisas concretas a abstratas, e as abstratas a concretas. Quebram-se os laços que, ao mesmo tempo que ligavam tudo, separavam tudo, isolando cada elemento. Tudo se funde e confunde."

Fernando Pessoa, Livro do Desassossego.

06 março, 2014

13 janeiro, 2014

Fim



Fernanda Torres tem ótimas credenciais - filha de Fernanda Montenegro, escapou da mediocridade global, ótima atriz, comediante, ultimamente vinha fazendo crônicas muito boas, mas surpreendeu com "Fim", literatura de primeira, narrativa interessante, perfil psicológico dos personagens instigante, leitura deliciosa, rapidamente foi para a lista dos mais vendidos, mais comentados, mais tudo. Não deixe de ler. Fim.

29 dezembro, 2013

Faixa de Areia

Gosto da abertura com a música de Pedro Luís. Direção: Daniela Kallmann e Flávia Lins e Silva. Fotografia: Marcelo Duarte. Edição: Henrique Tartarotti.

27 dezembro, 2013

micro e macro

Olhar de perto muda tudo.O diretor do Laboratório de Microscopia e Microanálise doInstituto de Astronomia da universidade do Havaí (EUA), Gary Greenberg, fotografou grãos de areia e ampliou as imagens mais de 250 vezes. "Cada grão de areia é único", concluiu o pesquisador.





24 dezembro, 2013

Todo ano são as mesmas coisas no Natal, Ano Novo, Carnaval, Páscoa etc. Estou cheia dessas tradições vazias, que o consumismo e a sociedade do espetáculo tentam preencher.

06 dezembro, 2013

Muito forte essa música composta e interpretada por Maria Bethânia do novo DVD Carta de Amor. Ouvi dizer que ela fez naquela época em que foi muito criticada na imprensa por causa de uma verba oficial para produzir uma série de vídeos. Ficou demais. "Chorando eu refaço as nascentes que você secou".

01 dezembro, 2013

Milhazes

Curto muito esta artista que começou nos anos 80 na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio. Beatriz Milhazes ganhou o Brasil e o mundo com suas cores e um estilo que mistura arte popular brasileira, modernismo, tropicalismo e mandalas.



Conheça a exposição que ela fez no Rio em outubro de 2013.